22.11.08
doente
doente.
assim permaneci e não melhorei enquanto os números do calendário corriam em lágrimas dos olhos.

doente do mundo, das suas exigências, padrões, do que se deve ser e fazer para ter o modelo de paz, tranquilidade, segurança e conforto por ele proposto. não faz sentido para mim. não tenho anti-corpos para resistir as suas investidas.

doente de mim, das minhas frustrações, das metas nunca minhas, dos sonhos terceirizados que nada tem haver comigo. da minha passividade, da fraqueza de me impôr, da covardia de investigar quem sou e de assumir como quero ser. o mundo tem anti-corpos suficientes para acabar quem esses reles vírus, tão míseros que não servem nem para constar entre as doenças populescas.

doente, e agravado por feridas permanentemente abertas. incompreensões pertubadoras. negações de compactuar com o que me parece mal. resiliência para dirimir sofrimentos alheios. culpas. perdas. erros cometidos dos quais não me perdôo, dúvidas. feridas que não encontram cura devido ao cansaço do corpo da alma.

doente do mundo
doente de mim
doído e mudo
aguardei o fim

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posted by rafael at 16:20 | Permalink |


1 Comments:


At 24 novembro, 2008 22:05, OpenID poetriz

Acho que também sofro desse mal.
Mas não me curei, apesar do calendário.
Sou uma pessoa crônica.

 


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