26.9.06
crer ou descrer?!?!?
"Se houvesse a possibilidade de ser deus por um momento, eu livraria todas as pessoas do fardo de querer ser igual a ele, principalmente aqueles que nele crê"

"A pior parte de crêr em deus é aquela em que temos que defendê-lo"

"deus está em todos os lugares, mas fica só olhando o que se passa em cada um desses"

"duas coisas que penso saber sobre deus: ele está lá e eu aqui. Mas certeza mesmo tenho apenas do último"

"dizem que deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Pena que mal lembramos de ontem, nunca saberemos do amanhã, e no hoje estamos sempre em dúvida"

"Creio que a crença é uma crença que nossa crença crê. E descrença é a crença de que nossa crença crê que não há crença"

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16.9.06
mais pitadas sobre o poder do sabor
Minha irmã após ler o texto indicou dois filmes que tratam do poder arrebatador do sabor:
"A festa de Babette" e "Como água para chocolate". E olha que interessante. Ao pesquisar sobre esses filmes, descobri um texto do Rubem Alves que trata sobre o prazer de comer. E ainda tem mais. Achei uma lista de filmes que trazem "o sabor em cena". Vale a pena dar uma conferida.

De tanto pensar em comida a fome bateu. Quem sabe que experiências estão por vir...

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posted by rafael at 01:32 | Permalink | 0 teste tua chave
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15.9.06
sabor
Sabor: 1. impressão que as substâncias sápidas produzem na língua. 2. propriedade que elas têm de impressionar o paladar, gosto.

Hoje fiz algo que está fora da rotina: almocei no shopping. É obvio isso não ser rotineiro pelos limites financeiros. Contudo, durante a refeição, encontrei um outro motivo que me pareceu ser mais decisivo para tal fato não se tornar um hábito. O sabor da comida.

Não estou dizendo que a comida estava ruim; longe disso. Muito pelo contrário. Saboriei cada garfada, contemplei cada movimento cortante da faca, procurei em cada mastigada o sabor dos temperos e imaginei as etapas da receita nos seus mínimos detalhes. Você tem razão em pensar o quanto essa refeição foi demorada.

A vantagem de almoçar em restaurantes raramente e tornar esse momento demorado, permitiu-me refletir sobre todas as vezes em que fiz isso e constatar um fato: todas as refeições tiveram o mesmo sabor: "sabor de não ter sabor nenhum". Um sabor que fica apenas nas papilas gustativas, sem graça, insoso. Diferentemente do que ocorre quando degustamos a comida da mãe, da avó, ou de qualquer pessoa especial para nós.

Estes alimentos têm um sabor que não fica apenas papilas gustativas como aqueles, mas parecem alcançar nossa alma e provocar um efeito arrebatador em todos os nossos sentidos. A começar pelo nosso olfato que aos sentir o cheiro do alimento rapidamente envia informações ao nosso cérebro e esse por sua vez, mais que rapidamente, aciona nosso estômago provocando em nós desejos quase incontroláveis.

O estômago rapidamente atiça os olhos que ansiosos buscam o objeto desejado, e nossa imaginação já começa a se confundir com a realidade ao imaginar nosso paladar degustando a fruta tentadora tornando nossa boca um oceano de águas. Tentadora pois parece impossível controlar nossas mãos que rapidamente lança-se em direção as panelas, as raspas nas vasilhas, as primeiras remessas nos pratos e travessas. E alguns desses alimentos são até chamados afrodisíacos porque excitam órgãos dificilmente controláveis e facilmente arrebatadores.

Há também os efeitos arrebatadores em nossos sentimentos. O sabor desses alimentos são capazes de provocar saudades nos levando a momentos especiais já vividos. Provocam mudanças de humor, reconciliamento entre pessoas, uma inexplicável sensação de prazer. Chegam até mesmo a ser fator decisivo no nascimento de grandes amores, como já afirma o ditado: "fui conquistado pelo estômago".

Também percebi que o local influencia muito no sabor do alimento. No shopping, por exemplo, a praça de alimentação geralmente procura (e geralmente consegue) despertar o desejo de comer. E de comer muito por sinal. Mas o local não consegue proporcionar uma atmosfera na qual o sabor está no centro. E isso não é causado pela quantidade de pessoas, pois nas reuniões de família está no corpo de todos os efeitos arrebatores do sabor. E também não é porque os alimentos são produzidos em grandes quantidades, já que em algumas reuniões de família e festejos os números são exorbitantes, mas os efeitos do sabor continuam presentes.

Talvez a relação sabor x local seja explicada pelo significado que os lugares têm para nós. O shopping é apenas um lugar de passagem. As casas de famíliares, de amigos ou de momentos marcantes são lugares de construção de histórias de vida. E quanto melhores são as histórias, melhor é o sabor do alimento. E vale o oposto: quanto piores as lembranças e os sentimentos trazidos pelo local, mais desgosto é o sabor e mais martirizante o seu degustar.

Ainda, um último elemento que dá sabor ao alimento é a companhia de quem está saboreando conosco. É muito diferente comer sozinho de comer acompanhado de alguém. E é muito diferente comer em boas companhias de comer em companhia de pessoas indesejáveis. O sabor de quando comemos sozinhos parece ser curto. Ele parece terminar assim que acabamos de comer. O arrebatamento termina quando os garfos se cruzam. E se torna mais curto quando somos nós que iremos colocar a bagunça em ordem.

Estar comendo com qualquer pessoa não permite que o sabor passe das papilas gustativas. Dependendo da pessoa com quem estamos, o sabor nem mesmo chega até elas. Isso porque o sentimento de desprazer para com outro não permite o sabor assumir o posto principal. E quando estamos na presença de alguém quem temos vergonha, a preocupação com nossos modos impede de nos ocuparmos com o sabor e todas as suas qualidades transformadoras.

Mas quando estamos na presença de quem é especial, o sabor toma conta e arrebata a todos. São braços que se cruzam, sorrisos que surgem, gemidos de prazer e batida de talheres se misturando. É um "passa pra cá" de lá ", um "manda pra lá" daqui. Não há preocupação com modos, pois não ninguém repara em ninguém. Não há preocupação com a gula, porque a tentação já dominou a todos. Há sim o sabor da alegria, da comunhão, do prazer, das boas lembranças, do carinho, do afeto; ingredientes esquecidos em todas as receitas, mas presentes nos segredos da boa cozinha.

Agora eu entendi porque o Sazon tentou identificar-se com o amor....

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posted by rafael at 23:09 | Permalink | 1 teste tua chave
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