22.11.08
doente
doente.
assim permaneci e não melhorei enquanto os números do calendário corriam em lágrimas dos olhos.

doente do mundo, das suas exigências, padrões, do que se deve ser e fazer para ter o modelo de paz, tranquilidade, segurança e conforto por ele proposto. não faz sentido para mim. não tenho anti-corpos para resistir as suas investidas.

doente de mim, das minhas frustrações, das metas nunca minhas, dos sonhos terceirizados que nada tem haver comigo. da minha passividade, da fraqueza de me impôr, da covardia de investigar quem sou e de assumir como quero ser. o mundo tem anti-corpos suficientes para acabar quem esses reles vírus, tão míseros que não servem nem para constar entre as doenças populescas.

doente, e agravado por feridas permanentemente abertas. incompreensões pertubadoras. negações de compactuar com o que me parece mal. resiliência para dirimir sofrimentos alheios. culpas. perdas. erros cometidos dos quais não me perdôo, dúvidas. feridas que não encontram cura devido ao cansaço do corpo da alma.

doente do mundo
doente de mim
doído e mudo
aguardei o fim

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posted by rafael at 16:20 | Permalink | 1 teste tua chave
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21.11.08
verdade
mentira
mal
dita

dito
perd-ido
ficado
inter
dito

eu:
mentira.
di to
mal
dita
do

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posted by rafael at 23:59 | Permalink | 2 teste tua chave
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11.4.08
sob a luz da lua

Indo ao quarto e um clarão através da janela. Lua alva num céu negramente límpido. Largado, peso morto debruçado por sobre um vão de janela que fica para contemplar a beleza indizível de fora quando meus desejos de dentro colocam a tua presença.

Pensamentos in[porque não quis]evitavelmente deixados em você. Tê-la em braços e lua desnuda por libidos olhares. Desejos da luz clarear tua face. Marcas de traços em sombras e linhas claras do contorno do teu rosto. Lua espelhada nos teus olhos, reflexo nos meus. Quereres de contemplar o corpo em nú vestido da branca luz.

Você sobre peito e olhos sob a lua. Desgosto de abrir-los para com gosto beijar-te a comissura labial. Esquecer de lembrar tudo, violado por sabor da tua boca, afogar em salivas e escravizado na língua. Achado perdido em abraços, gozar o sopro da vida nos suspiros.

Teu corpo nú, pálido como lua, luz em densa leve noite. Querença de posse em fogo na paixão; minúcias do corpo em pressa de ficar para sempre em descoberta - você em perfumes e gostos. Com beijos e línguas úmidas, réu de prazeres por ser vítima de desejos.

Quis te amar sob a luz da lua, e, num clarão através da janela, debruçado, largado peso morto num vão que fica, ia ao quarto, quando meus desejos de fora me colocaram dentro da tua presença.

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posted by rafael at 10:15 | Permalink | 6 teste tua chave
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10.4.08
desventuras de um lógico acaso

De desventuras em desventuras, a vida parece seguir a lógica do acaso.

O que fazer?

Seguir o acaso lógico da vida e fazer das desventuras aquilo que realmente vale a pena ser vivido.

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posted by rafael at 13:30 | Permalink | 2 teste tua chave
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9.4.08
dos erros necessários
Bondade tua achar meu blog muito bom! Ele anda meio bagunçado, sem rumo. Estou fazendo novas experiências literárias e buscando novas reflexões. Estou num momento de profundas mudanças, muitas rupturas, poucos acertos e cometendo consciente e propositalmente alguns erros. Tenho tido a impressão de que o erro é uma necessidade, mais ou menos como a heresia: sem ela a teologia não se desenvolveria.

E por falar em heresia, o que você anda pensando hein! rs. Você sabe que adoro pensamentos pouco ortodoxos (ultimamente tenho adorado os "nada" ortodoxos) e ainda mais quando eles vem com um "que" de petulância; são esses pensamentos que nos derrubam e nos levam para mais perto da Palavra, essa sim completamente heterodoxa, pois não se conforma a pensamento humano algum.


confissões em trecho de email.

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posted by rafael at 11:35 | Permalink | 3 teste tua chave
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27.3.08
das dores

se até deus morreu

por que desejar viver para sempre?

*********************************

sorte

é quando a vida

encontra a morte

e logo finda

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posted by rafael at 12:59 | Permalink | 1 teste tua chave
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25.3.08
viver até quando for possível


"À medida que envelhecemos, nosso interesse é não somente somar mais anos de vida, mas sim mais vida aos anos."



Alexandre Kalache; ex-diretor do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da OMS.

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posted by rafael at 14:49 | Permalink | 2 teste tua chave
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das desistências

No dia em que a felicidade bateu em minha porta,

eu havia saído para nunca mais voltar.

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posted by rafael at 11:37 | Permalink | 1 teste tua chave
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24.3.08
da volta
“... um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido”.*

Não há volta. Nem mesmo o retorno para nossos lares, dia após dia, não se constituí assim. Não nos confundamos: “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”**, já dizia Heráclito. A aparente permanência das coisas no mesmo lugar não caracteriza a nossa volta ao ponto do qual partimos.

Estamos fadados a continuar sempre indo, e esse é o grande fardo colocado sobre nós, pois nunca sabemos o que há a seguir; seguimos no máximo com vagas idéias de possíveis acontecimentos. Por isso a idéia do retorno é reconfortante, porque, ao voltar, pensamos ir de encontro ao já conhecido.

Engano. Ao sair, mudamos. E ao mudar, as coisas mudam, porque enxergamos o mundo a partir das ocorrências em nosso interior. A organização do mundo exterior está condicionada à ordem do nosso interior. Um segundo que nos muda interiormente é suficiente para reconfigurar toda a estrutura do universo; um segundo é o suficiente para transformar o amor em ódio.

O desejo pelo retorno é fruto da insegurança da ida. E a frustração com a volta é a descoberta que continuamos indo. Daí a re-volta: o desejo de voltar de onde voltamos. Isso caracteriza a nossa vida: uma contínua ida por um caminho aparentemente igual, mas interiormente sempre novo, sempre desconhecido, nunca seguro.

Não há retorno. Há sempre a ida, mesmo para aqueles lugares aparentemente conhecidos, que, quando vistos novamente, se revelam sob nova faceta, instigam outras perguntas, geram inesperadas inseguranças e se desvelam um caminho ainda a ser conhecido.

“Para os que entram nos mesmos rios, afluem sempre outras águas...” diz de outro modo Heráclito. E tudo é “cinicamente perdido”, diz Kundera. Voltar para recuperar algo; retornar para continuar o não-terminado; re-voltar para colocar as coisas no lugar onde anteriormente estavam, são apenas modos de confessar nossa fraqueza diante do peso da ida, e nossa insegurança do desconhecido porvir.

Por isso, eu não voltei, pois aquilo tudo já perdi.
Assumo o peso, e continuo indo.


*Milan Kundera. A insustentável leveza do ser. Nova Fronteira, 1985.
**Heráclito. Os pensadores originários. Vozes, 2005.

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posted by rafael at 00:05 | Permalink | 5 teste tua chave
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14.1.08
despedidas
Tua ida
leva a minha

vida

finda.



Volta
vida finda,
minha
ida.

Finda a ida,
tua
minha

....................................vida


fica.

*********************************************************************
Autocrítica:

Relendo depois de algumas horas, achei que a disposição das palavras tornou o texto muito complicado (para não dizer ruim). Segue abaixo o primeiro rascunho.

Tua ida
leva a vida
já pouca
já finda.

Tu voltas?
vida
pouca
finda....

Tu, vida,
finda a ida.
Fica!?

Aproveitando o ensejo, estou pensando numa disposição mais simples, contudo inteligível, como se segue:

Tua ida
leva a minha

vida

...................finda.


Volta
vida finda,
minha
ida.

Finda a ida,
tua
minha

vida
fica.

Ah, pensando bem, desculpe o transtorno! Vou deixar a preguiça de lado e trabalhar melhor o texto.

reatulizado às 22:03

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posted by rafael at 17:45 | Permalink | 4 teste tua chave
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8.12.07
Muss es sein?
Com um sorriso sereno, respondeu suavemente, imitando o som da melodia de Beethoven: - Muss es sein? Tem de ser assim?
Tomas disse mais uma vez: - Sim, tem de ser! Ja, es muss sein!

Ao contrário de Parmênides, Beethoven considerava o peso como algo de positivo. "Der schwer gefasste Entschluss", a decisão gravemente pesada está associada à voz do Destino ("Es muss sein!"); o peso, a necessidade e o valor são três noções íntimas e profundamente ligadas: só é grave aquilo que é necessário, só tem valor aquilo que pesa.

Essa convicção nasce da música de Beethoven, se bem que seja possível (ou talvez provável) que ela seja mais da responsabilidade dos exegetas de Beethoven do que do próprio compositor; todos nós a compartilhamos de uma certa forma hoje em dia: para nós, o que faz a grandeza de um homem é ele carregar seu destino como Atlas carregava sobre os ombros a abóbada celeste. O herói de Beethoven é um halterofilista que levanta pesos metafísicos.

(Milan Kundera. A insustentável leveza do ser. Nova Fronteira, 1985. )

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posted by rafael at 23:25 | Permalink | 3 teste tua chave
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5.12.07
Raul, quase!
Sonho que se sonha só
é só um sonho que se sonha só

Sonho que se sonha junto
é [discussão na] realidade

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posted by rafael at 14:54 | Permalink | 3 teste tua chave
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24.11.07
2007 nunca mais.
Londrina, 25/01/07

Estou de volta a pequena Londres. Tudo igual: ruas cheias de carros, pessoas e muito barulho, ônibus lotado, quente pra dedéu. No fundo esperava encontrar algo diferente, pois estou tão cansado de tudo isso. Mas preciso lhe contar como foi minha viagem de volta. Pense na tua pior viagem já feita (......), certamente essa minha superou, rs.

Começou com um pequeno atraso de duas horas do ônibus com o qual eu vim. Era para ter saído às 22:40, mas acabei embarcando apenas a 00:45. Quando finalmente embarquei, dei de cara com o ônibus lotado. Caminhei até o seu final, pois minha poltrona era a 33 (e odeio sentar no fundo). Chegando em meu lugar, vislumbrei um sujeito esparramado nas duas poltronas. Eu, educamente, chamei tal indivíduo, contudo, por estar num sono tão profundo não consegui acordá-lo. Não querendo ser indelicado (e também para não causar mal estar), fui até o motorista e comuniquei a minha situação. Ele, de maneira muito prestativa, dirigiu-se até o indivíduo e deu-lhe uns três bons "chacoalhões" até despertar o feio adormecido.

Finalmente sentei-me, e, em menos de trinta minutos de viagem, pensei ter pego o ônibus errado. O ar condicionado estava tão frio, que pareciamos estar indo para o Ártico e não para Maringá. Sem muito a fazer, puxei meu casaco para me agasalhar e tentei dormir.

Veja bem, "tentei", já que estava sentado do lado do corredor, e nunca vi tanta gente ir de madrugada no banheiro. Talvez houvesse algum tipo de epidemia disseminada entre os passageiros, fazendo seus intestinos e bexigas não segurarem nada, rs. E pior, meu companheiro de banco parecia ter sido afetado por tal epidemia.....

Pois bem. Se o ônibus tivesse saído no horário certo, eu chegaria em Maringá às 10:30, dando tempo suficiente para eu pegar um ônibus para Londrina às 11:00 e assim chegar em casa às 12:00. Com o atraso, a previsão de chegada em Maringá foi para o 12:30. Até aí sem problemas, pois ainda assim eu poderia pegar o ônibus das 13:00, chegando às 14:00 em Londrina.Mas tudo isso era apenas previsão.

Chegamos sim 12:30 em Maringá, mas não na rodoviária. O motorista resolveu parar para almoçar antes de entrar na rodoviária, você acredita nisso?!?!? Resultado: meia hora de parada; chegamos na rodoviária às 13:30 e perdi o ônibus.

Porém nem tudo parecia estar perdido. Fui informado sobre saída de um ônibus para Londrina às 13:50. Corri até o guichê. Feliz comprei a passagem, entrei no ônibus com um quase sorriso no rosto e aliviado pensando: "Que bom, às 15:00 estarei em casa".

Leso engano. O ônibus não fazia a linha direta, e sim parava a cada abanar de mãos. Conheci todas as minúsculas cidades que fazem parte do trajeto Maringá - Londrina, e uma viagem de uma hora de duração, transformou-se num tormento de TRÊS HORAS!!!!!!! Ao invés de chegar às 15:00, cheguei às 17:00, cansado, com fome e atordoado por andar tanto de ônibus. Sorte uma uma amiga ter ido me buscar de carro; de outro modo eu seria capaz de cometer uma loucura caso precisasse pegar um ônibus da rodoviária até em casa, rs.

Esta foi a história do meu retorno. Espero que seja apenas uma história e não um prenúncio de como será meu ano, rs.

bjus
rafael

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posted by rafael at 23:10 | Permalink | 5 teste tua chave
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8.10.07
certeza? do que?
Juro com toda a sinceridade possível a um ser humano do sexo masculino que em todo término de aula procuro esquecer a alcunha de estudante de filosofia. Contudo não consigo seguir o conselho de Rubem Alves e despir-me de tal vestimenta quando acaba a brincadeira. Acompanhe um e-mail trocado com uma colega de estudos e veja como é difícil elaborarmos uma frase fundamentada na certeza. Mesmo num diálogo sobre as coisas corriqueiras da vida a dúvida é sempre o nosso porto mais seguro.....

Olá amiga
Puxa, como fiquei feliz em receber um email teu!! Estou sabendo do concurso sim, mas não sei se irei fazer. Eu tenho algumas coisas para decidir e não sei de ficarei aqui no Paraná. Mas em todo caso é capaz que eu faça. Sempre é bom ancorar o barco perto de uma margem, não é mesmo!?!? A UEL continua a mesma coisa de sempre. Não sei se isso é bom ou mal aos teus olhos, hehehehe. Mas estamos todos caminhando, os professores empurram com a barriga de um lado e nós do outro. Mas sempre caminhando.... E você, o que está fazendo da vida? Ou o que a vida está fazendo com você?? rs
beijos
rafael


Oi Rafael!
O que anda fazendo ou o que a vida está fazendo com vc? Engraçado isso vc dizer isso. Fico preocupada.... o tempo tá passando e eu não estou fazendo nada de interessante, mas acho que na verdade o controle sobre as coisas não é nosso mesmo. E acaso seja nosso, ele se encontra dentro dos limites que a vida acaba nos propondo, estou mentindo? Só espero que a maré me possibilite continuar estudando, e quem sabe em outro país, em outro continente...rs Vou prestar esse concurso e esperar p/ver o que acontece. Pelo que eu me lembro, vc queria fazer mestrado em uma instituição de SC, né? Então, gosto muito de nossas conversas, espero que continue mantendo contato!
bjos
amiga

É mole?
Por favor, só responda se tiver certeza!!! rs

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posted by rafael at 18:28 | Permalink | 7 teste tua chave
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2.10.07
a vida é longa demais
Discordo da frase "a vida é curta demais para fazer tudo o que desejamos". Estava pensando sobre a vida, sobre a minha e das poucas pessoas as quais penso conhecer, e concluí se tratar de uma grande falácia para nós mesmos essa afirmação. Ultimamente estou mais propenso a considerar a vida longa demais e vejo isso como um grande problema.

É um problema porque sempre nos dá a oportunidade de adiar tudo. Adiamos projetos, adiamos decisões, adiamos resoluções de problemas. Parece que procrastinar as coisas está inerente a nós. Não é a toa existir o provérbio "porque fazer hoje o que pode ser feito amanhã" ou "a preguiça é o cansaço de pensar em fazer algo". Aliás, a preguiça somente existe porque sabemos que podemos adiar, pois há tempo o bastante para fazer depois. No fim, "a vida é curta demais para fazer tudo o que desejamos" serve para enganar a consciência e tirar a culpa de sermos procrastinadores. É melhor culpar a vida ao invés de assumir nossa preguiça essencial.

É um problema porque nunca o último dia chega. Se por um lado há os preguiçosos, por outro existem aqueles que vivem cada dia como se fosse o último. Vivem o presente de modo tão intenso a ponto de condenar o amanhã a falta de motivação, de sentido, de novidade. Vivem tudo agora não deixando nada para depois. A vida por ser longa leva nossa disposição ao fim, deixando o cansaço em seu lugar. No fim "a vida é curta demais para fazer tudo o que desejamos" serve para esquecer a derrota para o tempo e dar a idéia de existir ainda um último suspiro que a muito já foi expirado.

É um problema porque mata nossa criatividade. Por ser longa a vida exige constante renovação e mudança para não ficar sempre a mesma. Se bem que a maior parte das pessoas sempre leva a mesma vida. Mas para os inconformados com a mesmice e monotonia, mudança e revolução são palavras chave. Contudo, a própria busca por coisas novas acaba virando rotina, tornando-se enfadonha e transformando em conformismo o inconformismo. O inconformado assim é alguém que se conforma em não se conformar. No fim "a vida é curta demais para fazer tudo o que desejamos" serve como auto-afirmação, pois não é possível conformar-se com a vida, seja curta, seja longa.

É um problema porque é injusto com nossa história. Conforme passa o tempo, esquecemos de muitas coisas significativas, ou se não esquecemos, lembramos de forma diferente. Acho injusto não lembrar dos nomes dos meus colegas de futebol que ajudaram a me sentir feliz em tantos jogos; injusto não lembrar de todas as pessoas que me abraçaram nos meus aniversários; injusto não lembrar de quando foi a primeira vez que senti tesão (e quem foi ela, claro); injusto não lembrar dos lugares em que gostava de brincar na infância, da primeira queda de bicicleta que me fez aprender a pedalar. No fim "a vida é curta demais para fazer tudo o que desejamos" torna-se uma tentativa de aumentar o tempo para podermos recuperar nossa história.

Se você pensa que vejo a vida negativa, acho ela enfadonha ou desejo a morte, está enganado. Quero muito mais, porque eu não sei se quando ela acabar terei a chance de tornar a viver. Mas eu só acho que a vida poderia durar o tempo suficiente para descobrirmos a sua beleza e acabar antes que pudéssemos esquecê-la.

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posted by rafael at 20:20 | Permalink | 12 teste tua chave
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1.10.07
a cobrança do amor
O amor, na sua dose de racionalidade, leva em conta os limites existentes e não cobra nada além deles pois sabe que isso gera sofrimento.

Um "amor" que cobra, não ama o outro, mas ama uma idéia de outro, e cobra do outro que ele satisfaça esse ideal.

Ora, amor é aceitação antes de tudo.

Ao meu ver, a única cobrança que amor faz é que o outro se torne cada vez mais capaz de amar do mesmo modo em que é capaz de aceitar o amor de outros.


Trecho de um dos tantos excepcionais e engrandecedores diálogos tido com a Priscilla.

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posted by rafael at 02:15 | Permalink | 5 teste tua chave
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28.9.07
não é como deveria ser




Viver é algo doloroso para mim. Todos os dias sinto uma profunda dor na alma. Sinto-me sufocado pela vida, por essa vida, particularmente pela vida que vivo. Sofro pois não vivo a vida que gostaria. Sofro por não saber como gostaria de viver. Sou uma pessoa frustada.




Sou frustrado desde que percebi o erro da minha primeira grande decisão tomada sobre os rumos da vida. Tinha 17 anos quando a fiz. A partir dessa, todas as minhas escolhas parecem ser erradas. Fico cada vez mais preso no erro e quanto mais tento desfazer o nó da vida, mais firme ele parece ficar.

Sou frustrado porque percebi não ter uma identidade própria. E essa foi uma constatação tardia, pois a identidade forjada para mim é muito forte. Não consigo desconstruir um rafael forjado em mitos, em idealizações, em expectativas. A minha culpa foi sempre ter ficado calado.

Sou frustrado pois descobri a vida muito tarde. Por nunca ter enfrentado algumas questões como deveriam ter sido tratadas e ter sempre reprimido tudo em nome do rafael construido pelos outros. Deixei de viver para dar vida a uma imagem.

Sou frustrado porque vejo concretizar-se em minha vida um ditado sempre dito pela minha avó: "deus da asas para quem não sabe voar". Tenho sérias dúvidas quanto ao fato de eu ter asas, e quando considero a possibilidade de tê-las sofro por não utilizá-las. Continuo preso ao solo e mesquinho, pois nem mesmo em sonhos almejo alcançar o céu.

Sou frustrado pois nunca tive sonhos. Até os tive, mas não eram meus. Eram de outros. Sonhei sonho de outros e agora não sei se tenho sonhos ou apenas fujo de pesadelos.

Sou frustrado porque não conheço o mundo. Fico dentro de um apartamento a maior parte do tempo. Raramente saio. Moro a seis anos numa cidade e posso contar nos dedos os lugares por mim frequentado. Agora o mundo me parece grande demais e impossível de ser conhecido.

Sou frustrado pois não tenho iniciativa própria. Sou passivo. Até hoje nunca fiz da minha vida o que realmente quis. Sempre fizeram por mim. Nunca briguei, sempre brigaram no meu lugar. Nunca levantei sozinho, porque nunca me deram a chance de cair. Sou extremamente mimado.

Sou frustrado pois ninguém me conhece. Cultuam a imagem de um rafael irreal. Tenho o azar de sempre ser visto fazendo as coisas certas e nunca as erradas. Maldita sorte que alimenta ilusões sobre mim.

Sou frustrado. Sim, sou frustrado pois descobri não ser nada daquilo do que dizem, que minha vida não é como pensam, que vivi até hoje a custas dessas expectativas e ninguém parece enxergar como realmente sou.

Sou frustrado desde minha primeira decisão na vida, a qual me colocou num caminho de onde não consigo encontrar retorno.

Sou frustrado porque descobri a vida tarde e a tardança não tem perdoado o tempo mal aproveitado.

Sou frustrado pois em cada manhã surgida minha maior expectativa não se concretiza: que o mundo tenha chegado ao seu termo.

Pelo menos o meu mundo.

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posted by rafael at 19:47 | Permalink | 14 teste tua chave
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26.9.07
a salvação está no outro (III)
Se Deus é amor, só pode ser verdadeiramente conhecido através da experiência do amor. Todo amor procede de Deus de algum modo, e portanto, todo amor revela Deus de algum modo (1Jo 4.7). A experiência pode ser instantânea ou paulatina, viva ou apenas perceptível, mas sua realidade e sua autenticidade se mede sempre pela mudança que provoca em nossa relação com os outros (1Jo. 3.14).

É por isso que Jesus cita o amor ao próximo como o segundo grande mandamento. Se no primeiro grande mandamento Jesus resume os três primeiros preceitos do decálogo, nesse segundo Jesus inclui o restante. Na passagem de Mc. 12.28.34, Jesus fala pela segunda vez sobre o grande mandamento. A primeira no livro do evangelista, ocorre no cap. 10.17-19. E vale destacar a diferença.

Em Mc. 10.27-29 Jesus cita somente os mandamentos éticos contidos no decálogo. A condição é, pois, não causar prejuízo a ninguém, manifestação mínima do amor; ela corresponde à regra de conduta proposta pelos doutores judeus como compêndio da lei, que interpretava o mandamento do amor ao próximo de modo puramente negativo: “não faças ao outro o que não quererais que façam a ti”. Aqui, a ênfase está no respeito ao próximo, que mostra já certa responsabilidade pelo bem-estar; a pessoa não deve contribuir para o aumento da injustiça no mundo.

Por sua vez, em Mc. 12.38-34 Jesus acrescenta o mandamento resumo de Lv. 19.18: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”. A lei não é mais formulada aqui de forma negativa, como faziam os doutores, mas de forma positiva. Essa forma positiva deve ser interpretada em sentido ativo, na atividade em favor do próximo; atividade que não põe em perigo o próprio bem-estar.

Frei Betto, sacerdote católico ao comentar sobre a proibição feita por Deus sobre a confecção de imagens para a adoração diz:

"Os profetas, ao condenarem essa tentação do povo (de construir imagens), queriam dizer algo muito simples: 'Se querem louvar e servir a Javé, façam-no na única imagem Dele que Ele nos concedeu, que é o próximo. É muito cômodo adora-lo na montanha, no bezerro ou no carvalho, difícil é serví-lo a adorá-lo no próximo, a imagem e semelhança de Javé'. Louvar a Javé é louvar a criatura, criação do Senhor. Reconhecer essa criação é, como dizia Jesus, fazer a vontade do Pai, que é a prática da justiça, e não a louvação como abstração, coisa em si, que prescinda a mediatização do próximo."

A insegurança da salvação, conseqüência da idéia de Deus ambíguo, atormenta o ser humano e paralisa sua ação. Se ele não está seguro do amor de Deus, tem, por conseguinte, insegurança de sua salvação futura e concentra seu esforço e sua energia na solução deste problema crucial. Vive angustiado, dependente de si mesmo e preocupado com seu destino. Não tem tempo para dedicar-se aos outros.

Quando Jesus assegura ao ser humano que Deus não é problema e que pode contar sempre com seu amor, descentraliza a pessoa de si mesma e a liberta para que possa dedicar suas energias a amar aos outros.

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posted by rafael at 00:30 | Permalink | 4 teste tua chave
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18.9.07
desejo imediato de primeiro grau....

abandonar a razão e ser todo libido
estando possuído por uma paixão irracional
tornar-me escravo de lábios com o sabor do pecado
permanecendo perdido num corpo enfeitiçado pelo prazer





(estou precisando de férias!!!! Alguém mora a beira mar??)
imagem:Man and woman passionately kissing - altrendo images
http://www.gettyimages.com

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posted by rafael at 19:24 | Permalink | 12 teste tua chave
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15.9.07
Fugaz
Há dias
que me resta apenas chorar
para não falar
para não pensar
como forma de orar

Deixar lágrima por lágrima cair
sem pressa para um novo sorriso surgir
sem pressa para um novo momento curtir
em silêncio, contemplando a fugacidade do existir

Chorar, e ao mesmo tempo rir
Rir, porque fugaz é chorar
Chorar, porque muito mais fugaz é rir
Pois a vida, ao invés de gastar tempo em alegrar
Parece ocupar-se muito mais com a tarefa de ferir

Mas existir é fugaz
Assim como chorar
Assim como sorrir

(versos sem pretensão poética. apenas rimas pobres e soltas, como a balbúrdia existencial)
imagem: Happy and Sad male faces - Jim Dandy
www.gettyimages.com

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posted by rafael at 10:45 | Permalink | 9 teste tua chave
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