8.12.07
Muss es sein?
Com um sorriso sereno, respondeu suavemente, imitando o som da melodia de Beethoven: - Muss es sein? Tem de ser assim?
Tomas disse mais uma vez: - Sim, tem de ser! Ja, es muss sein!

Ao contrário de Parmênides, Beethoven considerava o peso como algo de positivo. "Der schwer gefasste Entschluss", a decisão gravemente pesada está associada à voz do Destino ("Es muss sein!"); o peso, a necessidade e o valor são três noções íntimas e profundamente ligadas: só é grave aquilo que é necessário, só tem valor aquilo que pesa.

Essa convicção nasce da música de Beethoven, se bem que seja possível (ou talvez provável) que ela seja mais da responsabilidade dos exegetas de Beethoven do que do próprio compositor; todos nós a compartilhamos de uma certa forma hoje em dia: para nós, o que faz a grandeza de um homem é ele carregar seu destino como Atlas carregava sobre os ombros a abóbada celeste. O herói de Beethoven é um halterofilista que levanta pesos metafísicos.

(Milan Kundera. A insustentável leveza do ser. Nova Fronteira, 1985. )

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posted by rafael at 23:25 | Permalink | 3 teste tua chave
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24.11.07
2007 nunca mais.
Londrina, 25/01/07

Estou de volta a pequena Londres. Tudo igual: ruas cheias de carros, pessoas e muito barulho, ônibus lotado, quente pra dedéu. No fundo esperava encontrar algo diferente, pois estou tão cansado de tudo isso. Mas preciso lhe contar como foi minha viagem de volta. Pense na tua pior viagem já feita (......), certamente essa minha superou, rs.

Começou com um pequeno atraso de duas horas do ônibus com o qual eu vim. Era para ter saído às 22:40, mas acabei embarcando apenas a 00:45. Quando finalmente embarquei, dei de cara com o ônibus lotado. Caminhei até o seu final, pois minha poltrona era a 33 (e odeio sentar no fundo). Chegando em meu lugar, vislumbrei um sujeito esparramado nas duas poltronas. Eu, educamente, chamei tal indivíduo, contudo, por estar num sono tão profundo não consegui acordá-lo. Não querendo ser indelicado (e também para não causar mal estar), fui até o motorista e comuniquei a minha situação. Ele, de maneira muito prestativa, dirigiu-se até o indivíduo e deu-lhe uns três bons "chacoalhões" até despertar o feio adormecido.

Finalmente sentei-me, e, em menos de trinta minutos de viagem, pensei ter pego o ônibus errado. O ar condicionado estava tão frio, que pareciamos estar indo para o Ártico e não para Maringá. Sem muito a fazer, puxei meu casaco para me agasalhar e tentei dormir.

Veja bem, "tentei", já que estava sentado do lado do corredor, e nunca vi tanta gente ir de madrugada no banheiro. Talvez houvesse algum tipo de epidemia disseminada entre os passageiros, fazendo seus intestinos e bexigas não segurarem nada, rs. E pior, meu companheiro de banco parecia ter sido afetado por tal epidemia.....

Pois bem. Se o ônibus tivesse saído no horário certo, eu chegaria em Maringá às 10:30, dando tempo suficiente para eu pegar um ônibus para Londrina às 11:00 e assim chegar em casa às 12:00. Com o atraso, a previsão de chegada em Maringá foi para o 12:30. Até aí sem problemas, pois ainda assim eu poderia pegar o ônibus das 13:00, chegando às 14:00 em Londrina.Mas tudo isso era apenas previsão.

Chegamos sim 12:30 em Maringá, mas não na rodoviária. O motorista resolveu parar para almoçar antes de entrar na rodoviária, você acredita nisso?!?!? Resultado: meia hora de parada; chegamos na rodoviária às 13:30 e perdi o ônibus.

Porém nem tudo parecia estar perdido. Fui informado sobre saída de um ônibus para Londrina às 13:50. Corri até o guichê. Feliz comprei a passagem, entrei no ônibus com um quase sorriso no rosto e aliviado pensando: "Que bom, às 15:00 estarei em casa".

Leso engano. O ônibus não fazia a linha direta, e sim parava a cada abanar de mãos. Conheci todas as minúsculas cidades que fazem parte do trajeto Maringá - Londrina, e uma viagem de uma hora de duração, transformou-se num tormento de TRÊS HORAS!!!!!!! Ao invés de chegar às 15:00, cheguei às 17:00, cansado, com fome e atordoado por andar tanto de ônibus. Sorte uma uma amiga ter ido me buscar de carro; de outro modo eu seria capaz de cometer uma loucura caso precisasse pegar um ônibus da rodoviária até em casa, rs.

Esta foi a história do meu retorno. Espero que seja apenas uma história e não um prenúncio de como será meu ano, rs.

bjus
rafael

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posted by rafael at 23:10 | Permalink | 5 teste tua chave
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18.9.07
desejo imediato de primeiro grau....

abandonar a razão e ser todo libido
estando possuído por uma paixão irracional
tornar-me escravo de lábios com o sabor do pecado
permanecendo perdido num corpo enfeitiçado pelo prazer





(estou precisando de férias!!!! Alguém mora a beira mar??)
imagem:Man and woman passionately kissing - altrendo images
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posted by rafael at 19:24 | Permalink | 12 teste tua chave
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31.8.07
insegurança
A Ad me convidou para refletir sobre a "insegurança". Pois bem, pensemos.....

A insegurança muitas vezes é tida como sinônimo de desconfiança. A insegurança seria uma falta de confiança oferecida pelo outro com quem se relaciona. "A falta de confiança geraria a insegurança". Até compreendo a relação existente, mas eu não penso que ambas partilhem a mesma idéia.

Já escrevi em outro momento sobre a confiança. E minha tese se resume nisso: A confiança não é algo presente no outro, mas uma atitude daquele que confia. Não é algo do outro, e sim uma expectativa lançada sobre ele. E sendo a confiança a atitude daquele que se dirige, então, ao desconfiar, se desconfia de si mesmo.

A segurança por sua vez, está pautada nas condições apresentadas pelo outro. Não é algo que dependa de mim, mas sim daquilo que o outro me oferece. Por exemplo, quando vamos a um parque de diversão, além do valor da entrada, analisamos as condições materiais do brinquedo, sua estrutura física, seu monitor, etc. Quem mora em cidades reféns da violência, quando sai de casa, procura analisar a condições de segurança do local para o qual se dirige: que rua pegar, se o horário é pertinente, o histórico da região, o policiamento do local, etc. Assim, a segurança é gerada em nós a partir das informações coletadas.

A confiança é depositada. A segurança, recebida.


Insegurança e desconfiança não são sinônimos, tanto que em algumas ocasiões desconfiamos de situações aparentemente seguras.......

(humm, tá tudo muito certo! Só pode ter algo errado nisso aí!)

......... e confiamos em situações que não oferecem segurança alguma.

E quanto a insegurança que sentimos em relação a nós? A dúvida, a incerteza, o medo, sobre as nossas possibilidades de acertar? Acredito estar sob a mesma idéia. Se somos inseguros quanto a nós, é porque reconhecemos nossos limites, nossas (in) capacidades, nossos erros anteriores. Não entro no mérito dessa insegurança ser oriunda de uma baixa auto-estima. Mas o fato é que ela é forjada nas informações recolhidas sobre nós.

De modo geral essa seria a minha idéia sobre a insegurança: ela é oriunda das informações recolhidas e que não satisfazem a nossa exigência, não nos confortam com a certeza, e a esperança oferecida é excessivamente frágil.

Bem Ad, essas foram as idéias com as quais flertei durante esses dias. De tudo isso gostaria de salientar um ponto. Podemos viver uma situação de completa segurança mas ainda assim desconfiar; como também podemos estar numa situação de total insegurança e ainda assim confiar.

Seria mais ou menos como a metáfora bíblica: o sábio constrói a casa sobre a rocha, pois sabe que durante a tempestade sua casa estará firme em seus fundamentos. Diferente do insensato, que constrói a casa sobre a areia, e quando vem a tempestade, ela carrega a casa com seus fundamentos. (Mateus 7:24-27)

Contudo, sabemos que a vida não é nada lógica, e por isso um pouco de insensatez sempre convém. Afinal, em algum dia e de algum modo, todos nós depositaremos a confiança na insegurança e desconfiaremos da segurança. E a resposta da nossa aposta será revelada apenas no final....

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posted by rafael at 01:25 | Permalink | 7 teste tua chave
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20.7.07
liberdade de expressão sim. de palpites não!
A liberdade de expressão é muito boa em grande parte de seus aspectos. Dizem até ser um direito, mas eu tenho algumas dúvidas quanto a isso, mesmo eu sendo beneficiado pela sua existência. Contudo, graças a tal liberdade de expressão, somos obrigados a aturar os palpiteiros de plantão, os sabichões do momento, e os achômetros com pretensões de certezas irrefutáveis.

Nos últimos dias tem sido insuportável ler, ouvir e assistir as redes de informações, pois elas têm apenas dois assuntos: os jogos Pan-americanos e o desastre aéreo ocorrido na última semana. Quanto ao primeiro, não tenho muito a reclamar, já que os palpiteiros não são tão chatos quanto o são ao falar sobre futebol (e em especial ao falar das infindáveis crises no Corinthians).

Agora, com relação ao desastre aéreo.....

Aqueles que se dedicam a anotar as novas expressões nascidas na língua portuguesa, além de registrar a expressão "acabou em pizza", não devem ignorar a novíssima "tragédia anunciada". Essa é a frase mais dita nos últimos dias, muito mais do que "acabou em pizza", principalmente pelo fato de não haver nenhuma CPI expressiva acontecendo no país.

O que mais tem incomodado a mim é como todos agora tem uma "opinião" a dar sobre o desastre. Estou sendo até caridoso em chamar as bobagens ditas de "opinão", sendo que não passam de palpites.

Qual a diferença entre opinião e palpite? Não sou tão rigoroso quanto foi Platão no tratamento da opinão (doxa), e por isso penso que ela contenha um determinado grau confiável de conhecimento. Para mim, a opinião é uma análise mediada por um pré-conhecimento do objeto analisado. O palpite não. Ele é mediado pelo achômetro, e geralmente é influenciado por uma opinião, quando não por palpite, de terceiros.

Especificamente no caso da "tragédia anunciada", os palpiteiros, além de falar sobre o que não sabem, usam suas análises de modo tendencioso para desferir seu veneno contra o governo. Não quero dar um de advogado do diabo, mas convenhamos que a maior parcela dos palpites sobre o desastre sempre termina em acusações contra o governo, saindo por completo do âmago da questão, a saber, o acidente com o avião da TAM.

Por sua vez, aqueles que entendem do assunto se limitam a dizer: "por enquanto temos apenas hipóteses, e por isso precisamos investigar e recolher todas as informações possíveis para podermos apontar as causas do acidente". Em poucas palavras, quem conhece o assunto diz: "ainda não sabemos".

Bem diferente dos palpiteiros...

Liberdade de expressão é muito bom. É uma pena tantos palpiteiros fazer mau uso dela. Pena eles se intrometerem em todos os assuntos. E pena eles existir em maior número no mundo.

Por isso, inauguro a campanha:

LIBERDADE DE EXPRESSÃO SIM! DE PALPITES NÃO!

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posted by rafael at 20:53 | Permalink | 5 teste tua chave
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15.7.07
respostas nada passageiras
A Karen deixou um comentário referente ao texto "perguntas nada passageiras" que merece ser promovido ao status de post. Obrigado Karen!

Bom, eu como passageira estressada, faço questão de responder suas perguntas nada passageiras, vamos lá:

Por que as pessoas deixam para pegar o dinheiro na hora de passar pela catraca?
- Eu não deixo e me estresso com quem carrega o bilhete único na catraca.

Por que as pessoas param logo após a catraca dificultando a passagem de quem vem a seguir?
- Porque com certeza lá atrás está muito cheio e não dá pra passar.

Por que as pessoas que descerão apenas no ponto final ficam na porta?
- Não gosto de ficar no meio do ônibus dando brecha pra um monte de homens tarados virem com gracinha pro meu lado (Acontece, viu?? Não comigo porque fico na porta haha)

Por que os bancos para uma pessoa são tão disputados?
- É muito mais cômodo sentar só, sem um folgado que fica ocupando mais que o espaço dele no banco de 2 lugares ou aqueles que dormem e começam a cair em cima de você.

Por que no banco de dois lugares as pessoas sentam no assento do corredor impedindo que outros ocupem aquele que está ao lado?
- Sentar perto da janela dá uma sensação de ficar preso, de não poder sair quando quiser hahaha

Por que as pessoas ficam irritadas com a "demora" do ônibus mesmo sabendo que ele tem horários pré-estabelecidos?
- Aqui em Sâo Paulo é uma zona e eles passam dos horários pré-estabelecidos (se é que existe aqui)

Por que quem senta no banco preferencial finge não ver um idoso, grávida ou portador de necessidade especial, para quem o banco é preferencial?
- Eu dou lugar.

Por que as pessoas não seguram firme suas bolsas, sacolas ou equivalentes, deixando que esbarrem nas outras pessoas?
- Só esbarro em gente folgada.

Por que eu tenho que depender de ônibus?!?!?
- Não tenho carta nem money pra comprar um carro. AHHHHHHHHHHHHHHH!!!!

Algumas respostas são muito esclarecedoras, mas de modo geral ainda não convencem! (rsrs)

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posted by rafael at 22:44 | Permalink | 1 teste tua chave
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8.7.07
perguntas nada passageiras
Várias perguntas me assolam quando estou no ônibus urbano:

Por que as pessoas deixam para pegar o dinheiro na hora de passar pela catraca?


Por que as pessoas param logo após a catraca dificultando a passagem de quem vem a seguir?

Por que as pessoas que descerão apenas no ponto final ficam na porta?

Por que os bancos para uma pessoa são tão disputados?

Por que no banco de dois lugares as pessoas sentam no assento do corredor impedindo que outros ocupem aquele que está ao lado?

Por que as pessoas ficam irritadas com a "demora" do ônibus mesmo sabendo que ele tem horários pré-estabelecidos?

Por que quem vai descer logo a frente ocupa assento? E por que o assento da janela?

Por que quem senta no banco preferencial finge não ver um idoso, grávida ou portador de necessidade especial, para quem o banco é preferencial?

Por que as pessoas não seguram firme suas bolsas, sacolas ou equivalentes, deixando que esbarrem nas outras pessoas?

Por que as pessoas "estacionam" no meio do corredor?

Por que o empurra no hora de subir? E pior, por que na hora de descer?

Por que as pessoas gritam dentro do ônibus?

Por que tem um ponto a cada dez metros?

Por que eu tenho que depender de ônibus?!?!?

Por quê????

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posted by rafael at 00:16 | Permalink | 4 teste tua chave
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