A insegurança muitas vezes é tida como sinônimo de desconfiança. A insegurança seria uma falta de confiança oferecida pelo outro com quem se relaciona. "A falta de confiança geraria a insegurança". Até compreendo a relação existente, mas eu não penso que ambas partilhem a mesma idéia.
Já escrevi em outro momento sobre a confiança. E minha tese se resume nisso: A confiança não é algo presente no outro, mas uma atitude daquele que confia. Não é algo do outro, e sim uma expectativa lançada sobre ele. E sendo a confiança a atitude daquele que se dirige, então, ao desconfiar, se desconfia de si mesmo.
A segurança por sua vez, está pautada nas condições apresentadas pelo outro. Não é algo que dependa de mim, mas sim daquilo que o outro me oferece. Por exemplo, quando vamos a um parque de diversão, além do valor da entrada, analisamos as condições materiais do brinquedo, sua estrutura física, seu monitor, etc. Quem mora em cidades reféns da violência, quando sai de casa, procura analisar a condições de segurança do local para o qual se dirige: que rua pegar, se o horário é pertinente, o histórico da região, o policiamento do local, etc. Assim, a segurança é gerada em nós a partir das informações coletadas.
A confiança é depositada. A segurança, recebida.
Insegurança e desconfiança não são sinônimos, tanto que em algumas ocasiões desconfiamos de situações aparentemente seguras.......
(humm, tá tudo muito certo! Só pode ter algo errado nisso aí!)
......... e confiamos em situações que não oferecem segurança alguma.
E quanto a insegurança que sentimos em relação a nós? A dúvida, a incerteza, o medo, sobre as nossas possibilidades de acertar? Acredito estar sob a mesma idéia. Se somos inseguros quanto a nós, é porque reconhecemos nossos limites, nossas (in) capacidades, nossos erros anteriores. Não entro no mérito dessa insegurança ser oriunda de uma baixa auto-estima. Mas o fato é que ela é forjada nas informações recolhidas sobre nós.
De modo geral essa seria a minha idéia sobre a insegurança: ela é oriunda das informações recolhidas e que não satisfazem a nossa exigência, não nos confortam com a certeza, e a esperança oferecida é excessivamente frágil.
Bem Ad, essas foram as idéias com as quais flertei durante esses dias. De tudo isso gostaria de salientar um ponto. Podemos viver uma situação de completa segurança mas ainda assim desconfiar; como também podemos estar numa situação de total insegurança e ainda assim confiar.
Seria mais ou menos como a metáfora bíblica: o sábio constrói a casa sobre a rocha, pois sabe que durante a tempestade sua casa estará firme em seus fundamentos. Diferente do insensato, que constrói a casa sobre a areia, e quando vem a tempestade, ela carrega a casa com seus fundamentos. (Mateus 7:24-27)
Contudo, sabemos que a vida não é nada lógica, e por isso um pouco de insensatez sempre convém. Afinal, em algum dia e de algum modo, todos nós depositaremos a confiança na insegurança e desconfiaremos da segurança. E a resposta da nossa aposta será revelada apenas no final....
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