7.8.07
quanto vale a vida?
Quanto vale a vida?

Segundo o banco real, ela não tem preço.
Segundo os familiares das tragédias aéreas, alguns milhares, e porque não, milhões de reais.

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte. E pelo simples e banal motivo: morrer é inevitável. Se a morte é causada ou não, se ela acontece na hora em que era para acontecer ou não, isso não vem ao caso. Simplesmente, a morte, num determinado momento, nos convida para bailarmos em seus braços, e em geral sem convite prévio.

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte. Poderiam me dizer que isso não significa estar colocando um valor a vida, mas serve de punição para a empresa aérea. Mas pergunto: existe maior punição para a empresa do que ter em sua história a marca de uma tragédia? E o prejuízo oriundo das mais diversas instâncias já não é punição?

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte. Poderiam me dizer que morreram homens e mulheres responsáveis pelo sustento e conforto do lar, e agora, nada mais justo do que a empresa arcar com os custos e, no mínimo, manter o padrão. Mas se a morte da pessoa fosse consequência de uma queda após o tropeço numa pedra, quem iria ser indenizado para manter o sustento da família?

(sem contar o absurdo do cáculo indenizatório baseado em projeções, como se a vida fosse estável e tudo caminharia rumo a riqueza, sem demissões, sem rebaixamento de cargo, sem crises econômicas, enfim, a vida sem infortúnios!)

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte. Poderiam me dizer que as pessoas sofreram danos morais. Mas desejo saber o que tem de imoral na morte. E quem está preparado para receber a morte de alguém?

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte. Poderiam me dizer que as pessoas sofreram tamanho impacto psicológico, que necessitarão de tratamentos clínicos para aprender a conviver com a dor da perda, e como a empresa foi de certa forma "responsável" pela tragédia blábláblá..... Mas quem pagará o tratamento da mãe que sofreu aborto expontâneo e vê todos os planos para a futura família se esvair em dor e prantos?

Não vejo sentido na cobrança de indenização por morte.
Se ela é causada ou não;
se ela ocorre no tempo certo ou não;
não vem ao caso.
O fato é que ela ocorre.
Não podemos prever quando chegará.
E não podemos evitá-la.

Sim, sou sensível em relação as famílias. Sim, estou indignado com tudo o que aconteceu. Não sou conformista e acho que devem haver mudanças profundas nas estrutas e nas políticas. Mas para mim indenização não é punição, não é ajuda, não é consolo.

Indeniza-se por punição, como se a morte pudesse ser evitada....

Mas quem pode evitar a morte?
Quem pode ser culpado, se não ela própria?
Quem algum dia estará pronto para receber a notícia de uma morte?

E quanto vale a vida?
Pois
não vejo sentido na cobrança de indenização por morte.

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posted by rafael at 01:45 | Permalink |


9 Comments:


At 07 agosto, 2007 10:20, Anonymous Anônimo

Vou ter q discordar de vc. Não há valor que pague uma vida. Mas friamente analisando a indenização é um direito puro e simples. Vc qdo viajava pela companhia aérea, estava pagando para chegar em segurança no destino. Era um serviço que vc havia contratado e esse serviço deve ser bem realizado! Se isso não foi exatamento o q aconteceu, a indenização é certa.

Agora, o cálculo do valor, os danos psicológicos, e todos estes pormenores, não sei como deveriam ser medidos. Estes valores são de fato incalculáveis. Mas eu vejo sim, sentido nesta indenização, rafa!

 

At 07 agosto, 2007 12:29, Blogger rafael

Lady, concordo com a idéia de contratar um serviço seguro.

Contudo, penso que devemos separar inseguro de acidente. O primeiro é aquilo que não oferece segurança. O segundo é o inesperado acontecer, ocorrendo principalmente na segurança (pois acidente na insegurança não é acidente, é a concretização do já sabido). E quando se trabalha com máquinas é possível 100% de segurança a fim de se evitar acidentes, essa obra do "acaso"?

E quando você diz "não foi exatamente o que aconteceu", deixa-me a impressão de que não há espaço na vida para o acaso... bju

 

At 07 agosto, 2007 13:22, Anonymous Anônimo

Aquelas pessoas estavam sob a responsabilidade da empresa. Na vida ha o espaço para o acaso sim, mas neste caso, trata-se de um episódio onde a fatalidade não pode ser enxergada como obra do acaso e sim como falha num serviço mal executado. É uma visão fria, admito.

Mas se formos imaginar que é obra do acaso todo acidente aéreo ou de qualquer procedencia em q haja alguma empresa envolvida, também podemos imaginar a intransigencia maior a q estaríamos sujeitos, né?

Qdo pago por um serviço, quero q ele seja executado exatamente da forma que o comprei. Se o acaso impediu isto, então, nada mais justo que eu seja ressarcido. Repito: O valor não é o importante e sim o ressarcimento pela confiança empregada.

 

At 07 agosto, 2007 14:43, Blogger rafael

Lady, a minha proposta no texto é analisar friamente a questão. Por isso não estou pensando nada de ruím sobre seus comentários e sobre você, pelo contrário, admiro pessoas que enfrentam um debate consciente e que não fogem as discussões. (e eu tbm espero q naum esteja sendo visto como uma pessoa fria, rsrs)

1)Eu não penso que "todo" acidente é obra do acaso. Há casos, e muitos, onde a irresponsabilidade, intransigência, e tantos outros fatores são causas de acidentes, não tendo assim a intromissão do acaso.

2)Eu concordo que as pessoas estavam sob a responsabilidade da empresa. Mas estou olhando pelo lado em que a empresa 'também' foi prejudicada na ocasião. Disso decorre eu pensar que ela não iria ser irresponsável para com ela, e consequentemente com aqueles que contratam seus serviços. Por isso penso que a "má execução" do serviço não foi proposital, pela falta de responsabilidade ou coisa que o valha.

3)É justamente a idéia do "valor não é o importante e sim o ressarcimento pela confiança empregada" que me incomoda. a)Porque ser em dinheiro? b)Confiança pode ser ressarcida? c)O que pode ressarcir a morte?

4)Acredito que exista um limite para o ressarcimento, sendo esse limite medido pela avaliação das ações que poderiam ter sido tomadas no decorrer da situação.

Usei o exemplo da acidente aéreo por estar mais próximo de nós e por isso apimentar mais a discussão. Contudo, minha proposta é discutirmos amplamente o tema, e não um caso específico. Por isso, vamos elocubrar!!! bju

 

At 07 agosto, 2007 16:51, Anonymous Anônimo

Tendo sido prejudicada ou não pelo acidente, acaso é acaso e negócio é negócio.

Se pago por algo, quero que algo seja bem realizado. Se a má realização deste "algo" foi obra do acaso, e empresa sabe muito bem que é a responsável. Mesmo sem ter "culpa" a empresa deve sim arcar com as consequências de um serviço mal realizado, afinal é esta a garantia que temos de que pagamos por algo e o teremos.

Nenhum valor ressarcirá a quantia exata da dor. E confiança realmente não pode ser ressarcida. Mas não é justo que sta punição seja simbólica, se a morte não foi simbólica. A indenização é justa e ajuda a minimizar esta dor sim!

Elocubremos, nobre! Elocubremos!

 

At 07 agosto, 2007 17:37, Blogger rafael

Lady, você tem razão ao dizer que mesmo com o acaso a empresa deve arcar com os custos do serviço mal realizado. Somos pacíficos quanto a isso.

E é nesse ponto que entra a minha questão: concordo que a empresa pague hospedagem, despesas hospitalares e todas aqueles referentes ao acidente. Mas será justo com a empresa fazer com que ela pague muitíssimo além disso? Qual é o limite justo para determinar os valores?

E aqui entra o ponto central do meu argumento: Eu não acho acertado o critério do impacto da morte para medir o valor da indenização, pois morrer todos morremos, e sempre sofreremos os impactos da morte de alguém.

Se todos começarem a reivindicar indenização devido o impacto da morte de alguém, precisaremos criar um tribunal especial para isso. bjus

 

At 08 agosto, 2007 08:40, Anonymous Anônimo

E meu ponto central é o seguinte:

Não se deve solicitar indenização para qualquer tipo de morte. Isso seria anárquico. Mas sim uma indenização por um SERVIÇO pelo qual vc PAGOU e não foi bem realizado. Se eu tropeçar e morrer, não vou solicitar indenização, obviamente. Mas se eu paguei por uma passagem aérea, eu estava sob a responsabilidade de uma empresa (e não mais minha) e portanto, ela deve arcar com as consequencias de um serviço que não saiu a contento. Seja isso ferimentos, danos morais e neste caso isolado a morte daquelas pessoas. Não há valor e também não há como mensurar quantia, ou equacionar esse reparo. Mas há de ser efetivamente feito.

Essas coisas do Capitalismo.

 

At 08 agosto, 2007 10:26, Blogger rafael

Ahhh Lady!!!

Contra o capitalismo eu não tenho forças para argumentar. Apesar de viver numa sociedade capitalista, não sou muito adepto a esse modelo de sociedade (tbm não sou comunista, rsrs). Mas apesar de não gostar, eu ainda não tenho argumentos sólidos para me opor a ele.

Por isso, dentro da lógica capitalista, eu não tenho como argumentar diferente de você. Afinal, você argumentou a partir do núcleo do capitalismo! bju

 

At 09 agosto, 2007 10:29, Anonymous Anônimo

Discordo de vc Rafa, apesar de ser impossível mensurar $ a perda de alguém querido,é preciso q os culpados sejam responsabilizados, pq só qdo se atinge o "bolso" das pessoas é q elas sentem o tamanho do prejuízo e tomam mais cuidado, e como podemos ver muitos acidentes são causados por imprudênciadas das empresas, seja na parte técnica ou por erro dos pilotos, por isso sou a favor da indenização sim, só assim eles terão mais cautela p tentar evitá-los.Abraço!

 


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