30.6.07
uma lágrima de esperança
A primeira lágrima caiu e encontrou sua mão aberta, sobre os joelhos, de palma voltada para cima, como alguém que espera do céu alguma divina dádiva. Mas não esperava uma dádiva em forma de lágrima. Não dessa lágrima.

Levantou a fronte e olhou-se no espelho. Acompanhou o caminho da nova lágrima que nascia. Desceu vagarosa, roçando sua pele. Era fria tal qual estava seu coração. E não poderia ser diferente: de uma fonte gélida não se extrai calor algum.

A lágrima tocou seus lábios, mas não arriscou prová-la. Não deveria ter o costumeiro sabor salino. Certamente adquirira um gosto amargo e insuportável; o mesmo da sua vida.

Não interrompeu o caminho da lágrima. Deixou que ela se desprendesse de seus lábios e fosse ao encontro do solo. Cria ser necessário deixá-la completar seu destino, assim como deveria também fazer. Nada de loucuras. Nada de sensatez. Nada de planos - O destino cuida de si.

A lágrima caía.
E com ela, despedia-se a esperança restante.
Durante esse inifinito espaço/tempo entre lágrima e solo,
o telefone chamou.

E viu-se um novo sorriso nascer;

antes de a lágrima no solo sumir,

e da esperança, com ela, esvair.

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posted by rafael at 08:00 | Permalink |


1 Comments:


At 03 julho, 2007 19:17, Anonymous Leticia

O telefone!Porque o coração se enche de esperança quando ele toca?
Por quê pensamos que o objeto de nosso sofrimento, pensa em nós com sincronia?

 


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