22.6.07
como lidar com o absurdo?
Certa vez, brincando com o significado das palavras eu disse:

"A vida só ganha sentido quando se pensa na morte, porque a morte é o único sentido da vida"

Talvez eu tenha sido muito restritivo ao dizer "só ganha", pois tantas pessoas - e principalmente os jovens - encontram vários sentidos para a vida sem levar em conta a morte. E para muitos - senão para a maioria - constatar a morte como um fim inevitável, causa mais danos do que motivação para viver. A morte torna a vida um absurdo....

Eis a grande questão que permeia a vida: como lidar com o absurdo?

Penso que a resposta mais oferecida a essa pergunta é a negação da resposta. De fato, poucas pessoas, ao dar-se conta da questão, aproveitam o tempo refletindo sobre ela. E não creio essa ser uma atitude de todo errada, pois, enfrentar o absurdo é uma tarefa árdua e exige muito vigor e estrutura de quem se propõe a enfrentá-la.

O problema de chamar o absurdo para um conversa franca está no fato do diálogo ser um monólogo. Quando nos dirigimos ao absurdo, o máximo que ouvimos é o eco das nossas indagações. Esse eco soa como se o absurdo estivesse jogando contra nós todas as nossas questões sobre e acusações contra ele.

E quem consegue enfrentar as próprias perguntas?
Quem é capaz de suportar a nudez pela qual é submetido quando se é questionado?

De todos os que enfretaram o absurdo, admiro o escritor de Eclesiastes. Engana-se quem pensa ser o existencialismo no século XX o pregador do absurdo da existência. Muitos séculos antes de Cristo o escritor de Eclesiastes constatara a vida como pura vaidade, e tudo o que se faz nela é como correr atrás do vento. E o mais interessante no livro bíblico é o próprio deus tornar a vida um absurdo, na visão do escritor. Ainda que no final do livro ele afirme como o essencial para a vida o temor a deus e a obediência aos seus mandamentos, no decorrer da sua reflexão deixa escapar que até isso, dito como essencial, é absurdo...

(talvez deus seja o maior dos absurdos)

Tenho o livro bíblico em mãos e passo os olhos sobre uma possível resposta de como enfrentar o absurdo encontrado ao se constatar a morte como inevitável:

Pois os vivos sabem que morrerão,
mas os mortos nada sabem;
para eles não haverá mais recompensa.
Para eles, o amor, o ódio e a inveja
há muito desapareceram;
nunca mais terão parte em nada
do que acontece debaixo do sol.
(Eclesiastes 9.5-6)

Participar da vida, mesmo ela apresentando-se absurda. Quem sabe não seja essa a resposta trazida pelo eco das nossas perguntas...

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posted by rafael at 00:57 | Permalink |


4 Comments:


At 24 junho, 2007 11:01, Anonymous Karen

Oii! Tudo bem?
Obrigada pelo comentário, fico até me achando quando você diz que espera ansioso por novos textos hehe

Pois bem, vim te avisar que hoje eu atualizei o blog...

Beijinhos e bom domingo!

 

At 25 junho, 2007 14:31, Blogger Menina Malvada (Ou Kaka)

Bom, acho que a morte é consequência da vida... Acho que já que se vive prá morrer, que se viva intensamente, que se faça, fala, sinta o que tiver prá fazer, falar e sentir...

A vida é um absurdo, então cometer seus absurdos pessoais é viver... Não ter vergonha de ser o que se é, de fazer o que se quer, é SER O ABSURDO!

Beijão!

 

At 26 junho, 2007 01:43, Blogger Thiane

Fico mto perplexa com a densidade dos seus textos. Tomara que você nunca perca a sua inspiração. Beijos

 

At 28 junho, 2007 23:26, Anonymous Graciela

Putssssssssss!! Vc � muito bom!!
Adorei esse absurdo, com certeza seu blog � um dos meus preferidos...
beijos

 


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