6.1.08
cultivar amizades
Penso não ser poucos esses que tem dificuldade em demonstrar afeto pelas pessoas. De fato, acredito estar ocorrendo uma crise de carência afetiva que se manifesta nos extremos de nos tornarmos pessoas gélidas e resabiadas ou de nos entregarmos facilmente a qualquer pessoa. Ambas atitudes são perigosas e perniciosas. Ao nos fecharmos, deixamos de experimentar o afeto, já que o prazer desse não está apenas no seu recebimento, mas também, e principalmente, em dá-lo. Quando nos entregamos muito facilmente àquele que nos cativa com afetos, o dano se encontra quando nos tornamos escravos desses afetos e assim ficarmos a mercê de um sentimento muitas vezes egoísta e que não nos eleva a experiência do amor.

Não podemos nos culpar por algumas amizades não mais cultivadas e pensarmos que isso seja consequência da nossa falta de afeto simplesmente. A vida é feita de histórias individuais onde cada qual escreve um diferente roteiro. Em algum momento mudamos e também nossos amigos e amigas. Por vezes, essas mudanças aproximam ainda mais. Porém, bem sabemos que elas mais distanciam, pois não mudamos da mesma forma e para a mesma direção. Tenho muitas amizades que hoje encontram-se apenas nas lembranças, mas nem por isso deixam de ser amizades e pertecentes a um passado irrecuperável. A verdade é outra: essas amizades ainda são presentes justamente por nos acompanharem ainda hoje em forma de lembranças e por ser responsáveis por quem somos nesse exato segundo e em todos àqueles porvir.

Por isso, antes do nos culparmos ou pensarmos que temos problemas para demonstrar afetividade, vale a pena o esforço de amar. E o que seria amar? Ao meu ver é viver de tal modo que sejamos sempre presente na vida das pessoas, mesmo ficando no seu passado. É marcar elas de modo que sintam a necessidade de ser afetiva com as demais pessoas. Somente perdemos amizades quando a mágoa preenche o espaço infinito que separa o "eu" do "tu". Mas enquanto esse espaço continuar desocupado, sempre há a chance de nele ser construida uma amizade que não se perde no tempo, pois quando existe amor, tudo é presente.

E as sementes de uma amizade sincera está plantada entre nós.


E-mail em resposta a uma querida leitora que compartilhou de si num comentário ao texto "É a verdade mais pura, eu não consigo amar".

Marcadores: , ,

 
posted by rafael at 17:58 | Permalink |


12 Comments:


At 07 janeiro, 2008 14:11, Blogger 

Rafael, não sei!
Adoro essa troca de carinho.
Não concordo contigo que nos tornamos escravos.
Sem brigas!
Amigo! kkkk
Brincadeira!
Os amigos são assim quando não estão por perto sempre estarão em nossas lembranças. Penso que esse é o grande barato a nossa memória! rs

Beijão

 

At 07 janeiro, 2008 14:27, Blogger Paola a Estranha

Ia ser a primeira, mas tudo bem! rs

Então, tu já sabe, né?
Sou sua amiga para sempre!
Amo-te!
Bjos

 

At 07 janeiro, 2008 15:06, Blogger rafael


Eu também adoro essa troca de carinhos, tanto que no final eu digo o quão é importante ser afetivo. Chamo a atenção apenas para o fato de que, muitas vezes, as pessoas se tornam escravas de um relacionamento afetivo que não faz com que elas cresçam como pessoa. Ao invés do afeto as libertarem para que também possam ser fonte de afetos para outras pessoas, elas ficam dependentes, e por isso, doentias, viciadas, fanáticas por uma única pessoa que pode nem estar amando verdadeiramente, mas apenas se aproveitando da fragilidade do outro.

Quanto a proximidade dos amigos, concordo plenamente com você.

E somos amigos, sem brigas! rs

bjus

 

At 07 janeiro, 2008 15:26, Blogger rafael



É claro que sei. Essas poucas palavras expressam quase nada de tudo aquilo que você tem me proporcionado.

Se creio na existência do amor entre duas pessoas nesse inifito espaço que separa o "eu" do "tu", isso se deve muito a tudo que tenho vivido contigo nesse curto tempo no qual fui presenteado pela vida ao ela dar-me você.

Sobre nós, posso dizer que não há mais uma semente de amizade, mas sim uma margarida florescida, simbolizando o jardim que cultivamos dia-a-dia e pelo qual trabalho incasavelmente devido ao prazer que me dá.

A você credito a minha crença no amor.

beijo

 

At 07 janeiro, 2008 19:23, Blogger Leticia

Rafael li o texto de hoje e o do link , te entendo.
Eu sempre fui uma "escrava" afetiva de amizades , sempre dei mais do que recebi mas em dado momento fui machucada de uma forma ...peculiar.E ai passei a ser a que nao demonstra , a que prende.
E me faz mal.Muito.
Mas criei essa barreira e poucos ( e bons)amigos que sabem o pq permaneceram e foram pacientes comigo.Sao ate hoje.
E por eles tento destravar mas e muito dificil, uma ferida na alma doi demais.

 

At 07 janeiro, 2008 21:30, Blogger Flavia

Acho que amar também é dar espaço, deixar livre e até sumir se necessário.
Eu sou muito assim. Como se fossem um pássaro machucado, alguns amigos surgem na minha vida carentes, precisando de atenção, de uma opinião diferente. E cuido de todos com carinho, quase devoção.
E quando os meus amigo-pássaros estão bem, aí sinto que acabou meu papel, minha utilidade. E os deixo livres pra voar por aí.
Claro que sinto falta de muitos. E poucos voltam e continuam frequentando minha vida. Não que eu queria reconhecimento, gratidão.
Quero que sejam felizes. Isso já me faz feliz também.
Acho que amar é meio assim. É dar sem esperar nada em troca. É deixar livre, porque é muito melhor saber que alguém que podia sumir pra sempre, retornou nem que seja por um minuto.
O amor parte da gente.
E se tivermos alguma sorte, o amor de alguém virá de encontro ao nosso.

 

At 07 janeiro, 2008 23:14, Anonymous Anônimo

Ad

Rafa, como sempre, gostei muitão (rs), mas gostei mais ainda da resposta q vc deu ao comnetário de Ká:" muitas vezes, as pessoas se tornam escravas de um relacionamento afetivo que não faz com que elas cresçam como pessoa. Ao invés do afeto as libertarem para que também possam ser fonte de afetos para outras pessoas, elas ficam dependentes, e por isso, doentias, viciadas, fanáticas por uma única pessoa que pode nem estar amando verdadeiramente, mas apenas se aproveitando da fragilidade do outro."Q coisa verdadeira!Fico pensando numa coisa q uma amiga me falou:" Amor é algo q faz bem, se te faz mal é qq coisa menos amor." E isso é assim em qq relacionamento afetivo,seja de amizade seja entre namorados.Continue nos presenteando com os seus magnificos textos. Abraço.

 

At 08 janeiro, 2008 13:51, Blogger ღ mey ♥¨`*•.¸¸.•*´¨♥ღ

oi, parabens pelo blog, ta otimo!!!
espero que visiteo meu tbm... bejaum

 

At 09 janeiro, 2008 01:06, Blogger rafael

Leticia

As feridas na alma nunca se curam. No máximo cicatrizam fragilmente. O lado ruim é a facilidade com que podem novamente sangrar e a dor se tornar mais insuportável, pois não toleramos sofrimentos do passado serem re-sofridos.

A cicatriz e a dor por hora trazida por ela é um sussurro, e por vezes gritos, alertando para o fato da vida ser sempre um parto: é preciso decidir entre criar ou cessar a vida. Quem se recusa a lidar com a dor corre o risco de estipar a vida. Quem dá a luz sente a dor do espírito se expandido dentro de si.

Por isso vale a dor de romper as barreiras. Quem se aprisiona em si, morre sufocado de si mesmo.

bjus

 

At 09 janeiro, 2008 01:11, Blogger rafael

Flavia

O que acrescentarei as tuas palavras? Elas são o eco de tudo o que já disse em outras reflexões.

É reconfortante saber que não estou sozinho na minha compreensão do que seja amar.

bjos

 

At 09 janeiro, 2008 01:20, Blogger rafael

Ad

Não sei, mas acho também que o amor em muitos casos nos pede para fazer algo que nos faz muito bem. Quantas vezes temos de suportar a dor de perder um grande amor por não ser amado da mesma forma?

Só se permite a dor de perder um grande amor quem realmente ama, e isso é desejar que o outro seja livre. E a dor da perda não é nada boa.

bjus

 

At 09 janeiro, 2008 01:21, Blogger rafael

Mey

Obrigado! A visita já está agendada.

bjus

 


|